Carpet Flowers

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Por Samantha Fuerte: Sobre as flores do tapete, ou: Carpetes Floridos
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Aquela trinca que Allen Ginsberg afirmou ser o motivo pelo qual atitudes são tomadas, ações são abortadas e liberdades são negociadas – Amor, desejo e falta – não define muito precisamente o que move a produção da Carpet Flowers, que não tem muito gosto pelo primeiro dos três itens como tema de canção. A totalidade do poema em que o verso surge, porém, é pista quente: em Wichita Vortex Sutra, apresentam-se Deus, drogas, o tesão, política, religiões, paganismo, a fantasia de ser universalmente desejado e outros entes que habitam a bagunça mental do XXI. Poema de 1966. Mas o fluxo interior, inquieto e natural, que ele faz transitar por aquelas linhas –pelas ilusões de sucesso, pelos nomes e avatares do Deus transcendente, pelo caos cultural das supostas democracias, por pêlos pubianos, pela solidão etílica, pela fraternidade entre os homens, pela guerra e pela paz, por carícias all over – não pode ser mais contemporâneo (inexorável e previsivelmente contraditório).
Também o gosto pelo inominável, típico de poeta, se espalha sobre o que a banda faz, mas como não são poetas se precipitam no correlato, digamos, existencial desse gosto – a impossibilidade de se situar num estilo ou num rol claramente identificável de referências, o que acaba esculpindo por exclusão aquilo que criam: harmonias quase certas sobre leitos ora etéreos ora densos de desenhos musicais quase simples e com pretensões de popularidade, melodias cuja obviedade ocasional não é apenas para, quem sabe, ganhar dinheiro e morar em Paris, mas porque são sarcásticos demais para fingir que poderia ser de outro jeito, e afetados o suficiente para que o resultado lhes convença a si mesmos.
Uma definição mais direta (e menos honesta), diria que se trata de uma banda punk arriscando melodias camp para um cabaré psicodélico com decoração art nouveau
cujo circuito interno de câmeras desemboca no céu e no inferno de um universo ateu.
Cheers (there’s always a bar where you can get the things you don’t need yet).
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Carpet Flowers nasceu em novembro de 2010, em São Paulo.
Vinicius Albuquerque : bateria | Marcelo Bressanin : teclado e programações | Fabricio Remigio : guitarra | Pedro Ricco: baixo | Marcio Junji Sono: voz e letras
ªªª
www.carpetflowers.com (faixas disponíveis em dezembro)
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