Fábio Tremonte

Redflag
Video, 2011

Caminhar pelas ruas carregando uma bandeira vermelha faz parte do pensamento de quem caminha e solicita adesão e estimula a luta, mas, também, é vagar à procura de um território para se (re)fundar, por um espaço para fincar a bandeira na cidade.
Mas poderia ser também, apenas, uma daquelas pessoas que trabalham sinalizando lançamentos imobiliários.
 Mas, a ideia que interessa é a persistente presença de  bandeiras vermelhas em manifestações nas quais as ruas são ocupadas, como símbolo de resistência.
Caminhar pelas ruas e calçadas de São Paulo é uma forma de resistência frente a uma cidade pensada para os carros, o passeio público é irregular e, muitas vezes, obstruído por carros, que insistem em dar uma breve parada ali, sem deixar espaço para o pedestre, que se vê obrigado a andar no meio fio ou mesmo na rua, correndo o risco de ser atropelado por um automóvel.
Em Redflag [caminhando] percorro as ruas da cidade sempre passando por calçadas estreitas que tem ao fundo muros e paredes através dos quais podemos perceber a ação do tempo ali marcada. Mas há também na seleção dessas fachadas uma escolha pictórica, a construção de paisagens.
O vídeo em loop (maneira na qual é apresentado, de forma circular, sem início ou fim) transforma a caminhada em uma prática incessante, uma resistência sem fim, porque o espaço para fincar a bandeira não é encontrado ou permanece indefinidamente no devir, sempre a expectativa de se (re)criar um território: é uma promessa, mas também uma solicitação para que cada um funde ou tome posse de seu território. Como na famosa frase de Fernando Birri, citada por Eduardo Galeano: “(…) Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.

 


Video, 2007

No asfalto o sinal de trânsito demarca a faixa prioritária para os automóveis que irão fazer uma conversão a direita. Nas outras faixas, os carros continuam a passar, seguem em frente, alheios ao texto grafado no espaço ao lado, alheios a conversão e, alheios a figura que caminha no passeio público que, por sua vez, também está alheio a todo o movimento que o margeia. O sinal desenhado no asfalto faz referência a caminhada solitária que caracteriza os passos da figura que caminha, que caminha e pensa, quem caminha e pensa e segue em frente. Caminhar pelas calçadas da cidade de São Paulo pode, muitas vezes, implicar em uma grande aventura, pois o tempo todo o pedestre deve lidar com situações que exigirão toda sua atenção. O passeio público irregular demanda certa destreza nos passos e agilidade para desviar de obstáculos como buracos, lixeiras, objetos e até jatos de água lançados por quem insiste em lavar a calçada defronte sua residência com uma mangueira. Os automóveis são outro grande entrave para quem caminha por São Paulo, pois inúmeros motoristas insistem em fazer da calçada seu estacionamento.
Paradas breves, outras nem tanto, são comuns, principalmente, em frente a estabelecimentos comerciais e escolas. Com seu território invadido, o pedestre é obrigado
 a fazer um desvio para continuar seu trajeto, assim, caminha no asfalto, território dos automóveis. Essa situação apenas confirma o grande entrave entre pedestres e automóveis existentes na cidade.
Entretanto, quando o caminho não é obstruído, segue sem preocupação ocupando
o território que a ele é determinado nessa confluência de vias que formam a cidade.

 www.fabiotremonte.com

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